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Sinta esse perfume...

...Como se estivesse em um campo florido, inspire o poder dos aromas que vêm de flores, folhas, raízes, resinas e frutos para equilibrar seu corpo e suas emoções.

O olfato tem uma relação direta com o prazer e lembra o quanto o corpo e as emoções vivem entrelaçados. Um cheirinho aqui dispara logo um sentimento lá – e até uma cascata de efeitos físicos. O cheiro sobe até o alto do nariz (entre as sobrancelhas), onde ficam os neurônios que vão transmitir a informação ao cérebro.
Em menos de 15 segundos, a mensagem aromática chega ao sistema límbico – a área cerebral responsável por sentimentos, memórias e emoções. É a partir dele que os óleos essenciais, extraídos de várias partes das plantas, influem nos sistemas hormonal, circulatório e nervoso.

Sabemos o roteiro preciso dessa viagem perfumada graças a uma dupla de cientistas americanos: Linda Buck e Richard Axel. Em 1991, eles iniciaram um estudo que desvendaria o caminho do aroma até o cérebro e como o órgão analisa e arquiva os odores. A descoberta rendeu a eles o Prêmio Nobel de Medicina deste ano. “Isso vai ajudar a compreender o efeito que os diferentes aromas têm sobre nós”, explica a bioquímica Bettina Malnic, da Universidade de São Paulo. Por exemplo: por que fazemos cara feia ao sentir o cheiro de azedo e nos deleitamos com um buquê de alfazemas.

Aromas em ação

Os óleos essenciais, por sua vez, têm uma função terapêutica porque, apesar da aparente simplicidade, são constituídos por substâncias químicas poderosas, como antibióticos e anti-sépticos.
Para ter idéia do poder dessas essências, clínicas e hospitais da França e da Inglaterra usam os óleos essenciais para substituir sedativos e analgésicos, informa a aromaterapeuta e massoterapeuta Karina Araújo, do Rio de Janeiro.
Às vezes, o cheirinho é combinado a uma ação tópica. O estudo Pegue um Aroma, Não um Sanduíche, da Smell and Taste Treatment and Research Foundation, de Chicago, nos EUA, revelou que 3 190 pacientes com excesso de peso perderam até 15 kg em um prazo de seis meses ao utilizar adesivos aromaterapêuticos (ainda não disponíveis no Brasil).

Questão de química

Para obter resultado com o uso de óleos essenciais é fundamental escolher o quimiotipo certo. O quimiotipo, ou o princípio ativo, varia de acordo com cada planta, mas também em função do clima, da altitude, do pH do solo, da hora da colheita e de outros fatores, o que pode alterar as propriedades da essência.
Um exemplo é o manjericão. Entre suas variedades, há o manjericão cânfora (Ocimum canum), um ótimo estimulante circulatório, o manjericão de cheiro (Ocimum gratissimum), que evita a queda de cabelos, e o manjericão doce (Ocimum basilicum), calmante. Agora o fundamental mesmo é que você goste do aroma do óleo essencial. Se sua memória olfativa associar determinada essência a um episódio desagradável, ela não será benéfica, pois não despertará boas sensações.

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